quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mariana com o tema: A Relação de Gênero na Dança de Salão

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Brenda apresentando seu pré projeto Vídeodança

Heberton: Composição coreográfica a partir do Tangram

Dani: A dança Litúrgica e Débora: Roupas para práticas de dança contemporânea

Jéssica Apresenta: "A dança na corda do círio de Nazaré"

Projetos de Pesquisa: inclusão-portadores de sindrome de down

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Ensaio

A prática da dança sempre foi motivo de preconceitos, principalmente quando se considera que certos tipos de dança são exclusivas de determinado gênero, porém, partindo da compreensão de que os movimentos não têm sexo, mas que a eles são atribuídos sentidos masculinos e femininos por razões culturais, diferentes em cada região do mundo, homens e mulheres podem praticar ou ensinar qualquer modalidade de dança.
Importa ressaltar, que na sua origem, a dança era quase que exclusividade masculina, e que a presença da mulher, mais do que algo natural, foi uma conquista feminina.
Antonio Faro aborda essa questão, apontando que:

“É interessante notar que, durante vários séculos, a dança era apanágio do sexo masculino, e só muito mais tarde as mulheres passaram a participar ativamente das danças folclóricas. Até hoje, em certas regiões da União Soviética, como o Cáucaso, a Ucrânia e as Repúblicas Orientais, existem danças matrimoniais em que as mulheres só tomam parte passivamente: os homens dançam em torno delas, principalmente da noiva, sem que elas esbocem qualquer gesto. Não há dúvida de que essas danças descendem diretamente de outras, de cunho religioso, em que só os homens tomavam parte” (FARO, 1998:15).

Diante dessas questões e tendo como pano de fundo a dança de salão, na qual os gêneros estão inter-relacionados, aliás, são interdependentes principalmente no que concerne a execução dos movimentos, ainda assim é bem marcado o que cabe ao homem e o que cabe a mulher, não é sem motivo que se adota parcerias, ou seja, a dama e seu partner, o cavalheiro e sua partner.
Observando essa configuração e conversando informalmente com professores notei que apesar das parcerias imprescindíveis, profissionalmente as damas são colocadas em segundo plano, mesmo estando apitas enquanto professoras para ensinar ambos os sexos, tanto no que diz respeito à condução e movimentação para os homens e movimentações e floreios para mulheres. 
Isto pode ser percebido em academias tradicionais de Belém quanto em novos espaços. Há dois anos por intermédio de meu parceiro assinei um contrato para ministrar aula de dança no SESC de Ananindeua, foi ótima a experiência, mas não foi fácil a minha entrada lá, isto porque sou mulher. O coordenador inclusive, repetidas vezes questionou meu parceiro ao dizer: uma mulher, será que ela vai dar conta? Que só depois me revelou tais preocupações. O ideal, segundo o coordenador, seria que o professor fosse meu parceiro, isto porque a maioria dos alunos são do sexo feminino e provavelmente não iriam gostar de dançar com alguém do mesmo sexo. Eu, por conseqüência, ou seja, como parceira estaria lá para auxiliar no que fosse necessário, mas não estaria no comando.
O interessante é que depois de algum tempo trabalhando no SESC de Ananindeua, perguntaram-me se conhecia uma professora de balé. Vejam como é mais aceitável uma professora de balé do que uma de dança de salão, assim como é mais aceitável um professor de dança de salão do que um professor de balé, será que é porque vão lidar com crianças e as mulheres são melhores nesta função ou o risco de abusos é menor, enfim isto é outra questão a ser debatida e desmistificada.
Se olharmos de forma panorâmica para as academias de dança de salão mais conhecidas de Belém, verificaremos o quão são poucas aquelas em que as professoras estão no comando das turmas, como um diferencial podemos citar o SESI no qual se encontra a professora Mônica que só ocupa tal lugar de destaque por sua formação em educação física, já que o SESI na época exigia nível superior para o professor de dança, nível de escolaridade difícil de ser encontrado dentre os professores de dança de salão.